Todas as pessoas que preciso de ver, todos os sentidos que acabei de não ter, todo o amor que sinto a crescer, todas as passagens que saltei, todos os dias que chorei, toda a revolta mal explicada, toda a angústia que não passou de segundos, todos os beijos que precisava de ter, todas as quedas que precisava de levantar, todos os murros que devia beber e todos os tempos que deixaram de ser…
As músicas que correr por querer, os dias que passam devagar e todas as fraquezas sem ar. Estou aqui, continuo aqui para mim e para poderes continuar a passar por cima. As paredes do teu pensamento não passam disso. Concentra-te! Vais perceber que este som que ouves não passa de sofrimento molhado à espera de ser salvo. Tudo o que tens de ouvir é nojento, todo o pó que tens nos olhos e na consciência acabam por te salvar. Vives para morrer, eu morro todos os dias para viver. Viver para a luz e para o ruído. Vou abraçar-me e dizer a mim mesma que está tudo bem, vou unir-me contra a união e pensar em ti. Ou chorar sangue e beber suor, todos os dias enquanto estiver por aqui.
Todas as palavras que acabei de escrever sabem a miséria porque está escuro aqui. Vou quebrar barreiras que já foram quebradas há anos e vou fazer tudo o que eu nasci para ser, vou engolir terra e cuspir manias. Vou andando pelo passeio para não queimar, cheira a pequeno orgulho da parte do céu. Eu resolvo, eu vou continuar a pensar em ti. Tudo começa realmente quando te tornas moralmente correcto, esquece essa parte sensacional e pára para eu entrar dentro de ti. As pessoas estão aqui e ali, sempre a fazerem sentido, continuam a proteger coisas que nem sabem que existem e a viver de falsidades bem construídas. Já chorei por ter tanta razão quanto a tua, já corri para o nada e encontrei-te a ti.
O céu, as estrelas, o chão, o sentimento de culpa, a escuridão e o fogo.
[Junho 2010]

Sem comentários:
Enviar um comentário